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CACHAÇA - pinga, branquinha ou cânha é o nome dado à aguardente de cana, uma bebida alcoólica tipicamente brasileira.

Para conhecer a história da cachaça é necessário voltar ao início do século XV. Os portugueses tinham conhecido a cana de açúcar durante suas viagens à Ásia e não tardaram em levar algumas mudas para a ilha da Madeira, para, mais adiante, levar a cana para novas terras descobertas no Ocidente. Nos engenhos onde se obtinha o açúcar, o caldo da cana era depurado em uma enorme caldeira em fogo brando. A espuma formada pelos resíduos da planta era usada como alimento para os animais. Era a cachaça.
Só a partir do século XVI, a cachaça, da mesma forma que se fazia com os restos da fermentação do suco da uva, começou a ser destilada com a ajuda de um alambique.

Seu primeiro nome foi aguardente de cana e ela era dada aos escravos junto com a primeira refeição do dia para que pudessem suportar melhor o trabalho nos canaviais.
Com o passar do tempo, o processo para a obtenção deste aguardente foi melhorando, assim como sua qualidade. Seu consumo cresceu de maneira tão rápida que a Coroa Portuguesa viu perigar a venda de seu aguardente nacional, a bagaceira, para as colônias. Em 1635, a metrópole acabou proibindo a venda de cachaça no estado da Bahia e, quatro anos depois, tentou proibir sua fabricação. No entanto, a cachaça já tinha se tornada a bebida preferida da enorme colônia americana. É obtida com fermentação da garapa de cana-de-açúcar ou do melaço e sua posterior destilação.
Os gregos registram o processo de obtenção da ácqua ardens. A água que pega fogo – água ardente – aparece nos registros do Tratado da Ciência escrito por Plínio, o velho, que viveu entre os anos 23 e 79 d. C. Ele conta que apanha o vapor da resina de cedro, do bico de uma chaleira, com um pedaço de lã. Torcendo o tecido, obtém-se o Al Kuhu. A água ardente vai para as mãos dos alquimistas que lhe atribuem propriedades místico-medicinais. Transforma-se em água da vida. A Eau de Vie é receitada como elixir da longevidade. A aguardente, então, vai da Europa para o Oriente Médio, pela força da expansão do Império Romano. São os árabes que descobrem os equipamentos para a destilação, semelhantes ao que conhecemos hoje. Eles não usam a palavra Al Kuhu, e sim Al raga, originando o nome da mais popular aguardente da Península Sul da Ásia: Arak, uma aguardente misturada com licores de anis e degustada com água. A tecnologia de produção espalha-se pelos velho e novo mundos. Na Itália, o destilado de uva fica conhecido como Grappa. Em terras germânicas, destila-se a partir da cereja, o Kirsch. Na Escócia, fica popular o Whisky, destilado da cevada sacrificada. No Extremo Oriente, a aguardente serve para esquentar o frio das populações que não fabricam o Vinho de Uva. Na Rússia, a Vodka, de centeio. Na China e Japão, o Sakê, de arroz. Portugal também absorve a tecnologia dos árabes e destila sua aguardente a partir do bagaço de uva, a Bagaceira, o que viria a ser, mais tarde, a sua mercadoria comercial.

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