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“A BOLA DE FOGO”.
by
NELSON GEROMEL
“ O céu era de um azul quase negro, com muitas estrelas
brilhando, dando um contraste de veludo ao mesmo. Nós paramos para
descansar, pois a bagagem estava pesada. Eram ás duas horas da manhã e o
barco chegaria a Santarém mais ou menos as três. Como faltavam ainda uns
quinze minutos de caminhada, ficamos admirando o céu com toda a sua
magnitude. As estrelas brilhavam com muita intensidade; algumas até pareciam
trocar de cor constantemente. O silêncio as vezes era quebrado com algum
latido, ou alguma onda que batia contra o concreto no porto. Já pensávamos
em continuar a andar quando Veronique me alertou para uma luz vermelha no
céu. Eu lhe disse que era um avião. Aí, ela se assustou porque eram duas
luzes vermelhas com uma branca que girava ao centro. Não se ouvia nada mais
além de latidos esparsos e a água contra o porto. Quando menos esperávamos,
estava a uns dez metros acima de nossas cabeças um enorme disco com muitas
luzes vermelhas ao redor e brancas ao centro. Veronique desmaiou, tentei
ajuda-la e nisto no centro do disco se abre uma porta arredondada e uma luz
azul sai de dentro como um raio laser e apenas senti um choque.
Acordei estava numa espécie de maca num centro de uma sala
circular toda num tom branco amarelado, mas sem nenhuma porta ou janela.
Tentei descer da maca, pois estava um pouco mais alta do que o piso, pois
flutuei na mesma altura da maca; tentei atingir o teto e também não
consegui. Podia ficar de cabeça para cima ou para baixo que era a mesma
coisa. Não conseguia entender. Nem consegui entender porque não havia
percebido que estava nu. Não sentia cheiro de nada e nem se ouvia nada.
Gritei e nem isto eu pude perceber. Estaria surdo, mudo ou louco?
Abriu-se no teto uma porta arredondada como a primeira e fui
puxado para cima como sucção. Fiquei flutuando numa outra sala como a
primeira, só que agora podia perceber que não estava sozinho. Do piso voaram
até mim quatro personagens estranhos; tinham uma forma humana, mas eles
usavam um uniforme colante em todo o corpo, inclusive o rosto, podia-se ver
apenas os olhos que eram de um amarelo brilhante. Seria impossível precisar
sexo, pois não apresentavam nenhuma característica feminina ou masculina.
Examinaram-me de todos os lados; um deles tirou de não sei onde uma espécie
de óculos que colocou e me examinou de todos os ângulos. Em seguida me
deixaram ali flutuando. Voltei a recordar de como tinha ido parar ali, e me
lembrei de Veronique; talvez não a tivessem levado a bordo, porque ela é
muito nervosa e talvez estivesse com problemas.
Mais uma porta arredondada se abriu no teto e subi
suavemente, só que desta vez fiquei no chão. Levantei-me e, procurei
verificar o ambiente. Este também circular, e tinham uma espécie de poltrona
em toda a volta e o piso era em muitas cores diferentes em diversos
círculos. Sobre a poltrona percebi um pequeno objeto, assim como um
microfone; tomei-o, verifiquei se era japonês ou americano e não encontrei
marca. Não havia botões para ligar ou desligar, como também não tinha fio.
Nisto entraram duas das figuras estranhas, pois as roupas marrons e a
estatura eram as mesmas. Dirigiram-se para mim e cada um tinha um pequeno
aparelho como o meu. Um deles tomou o aparelho de minha mão e abriu-o e
saíram três cabos com disco na ponta. Colocou-me um em cada ouvido e outro
em uma mão, era o microfone. Fizeram o mesmo com eles. Um deles começou o
diálogo, falava uma língua estranha, mas compreensível, com uma voz unissex
e pausada.
Pedimos desculpas e ao mesmo tempo lhe damos boas
vindas a bordo. Esta é uma nave do planeta Mercúrio do
Sistema Solar. Estamos usando um tradutor automático portátil
interplanetário, com o qual podemos falar em uma língua universal.
Respondi-lhes: - Agradeço-lhes as boas vindas, porem gostaria
que me informassem sobre Veronique, e qual a intenção de vocês conosco.
Tudo bem com Veronique, ela está sendo examinada no
laboratório e logo virá para cá. Vocês vieram a bordo apenas porque foram
encontrados em posição ideal para transporte segundo nossos sensores.
Gostaríamos de saber alguma coisa sobre o organismo de vocês terráqueos, e
aproveitaremos para mostrar-lhes algumas coisas que serão interessantes a
vocês. Falou-me um segundo.
Nisto entram mais dois personagens e entre eles Veronique.
Eles colocaram lhe o aparelho e ela pode dizer-me que estava com muito medo
e estava sem roupa também.
Um dos seres que chegou com Veronique falou:- Não precisam
temer nada, e será por demais interessante a vocês algumas das informações
que lhes daremos.
Falei com Veronique que não temesse, pois nada de mal podia
acontecer; eu já tinha ouvido falar de pessoas que fizeram semelhante viagem
e voltaram muito bem. Nos levaram para uma outra sala. O engraçado é que as
paredes eram perfeitas, sem portas e de repente onde você nem imaginaria,
abre-se uma porta. Nesta outra sala havia um grande painel metálico, e mais
abaixo uma espécie de computador, pois brilhavam muitas pequenas luzes.
Sentamos num sofá circular e um dos seres mexeu um dos botões do computador,
voltou e sentou-se junto a nós. O painel se abriu e vimos como num cinema
algumas cenas com seres, como aqueles que estavam conosco. As cenas se
passavam por entre prédios moderníssimos e salas moderníssimas. Os seres
caminhavam, paravam, tocavam com a palma da mão na palma da mão de outro;
não falavam. Nem eu nem Veronique entendemos nada. Depois passaram outras
cenas sobre uma imensa região árida e cheia de crateras, mas não havia nada.
A outra cena era de grandes campos agrícolas, numa perfeita harmonia. Após
isto nos levaram para outra sala, sentamos eu e Veronique em duas poltronas
em frente um aparelho como um computador. Colocaram sobre nossas cabeças um
capacete, do qual saia um cabo que ligava ao aparelho. Ficamos mais de uma
hora, absorvendo informações do computador. Aí então entendemos o porque do
filme e o porque de nossa ida a nave. Já contente e sem medo passamos a uma
outra sala com uma mesa ao centro. Estavam na mesa conosco mais seis seres
que nos cumprimentaram e um deles pediu que sentássemos. Nos disse ainda:
Estamos satisfeitos que tenham aceitado nosso convite, e
acreditamos que poderemos fazer muito juntos. Agora como vocês tem que
voltar ao planeta Terra, nós lhes desejamos felicidades. Podem se dirigir à
sala de transportes. Chegamos a sala de transportes através de uma sucção em
que flutuamos. Lá colocamos nossas roupas e nos dirigimos ao painel de
controle dos transportes. Verifiquei a posição de Belém e acionei, descemos
perto do cais do porto e já eram segundo o meu relógio as quatro da manhã.
Fomos para um hotel e dormimos. Á tarde enquanto passeávamos
pela avenida Presidente Vargas pudemos ver em manchete num jornal “A
Província do Pará” Bola de Fogo nos céus de Belém causa espanto. E nós rimos
muito com a notícia.”
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